(foto: Jorge Gontijo/EM/D.A Press)
Aos 12 anos, Rafael chegou ao Cruzeiro em busca do sonho de se tornar jogador profissional. Logo no primeiro dia de teste na base do clube celeste, em 2002, o menino nascido em Coronel Fabriciano foi confrontado por uma realidade implacável: precisava ser muito melhor do que os demais para garantir uma vaga e, mesmo depois de alcançar o objetivo, seria constantemente desafiado por novos garotos com o mesmo propósito.
Hoje goleiro titular do São Paulo, Rafael reconhece que a pressão precoce – característica inerente ao futebol – possibilitou o desenvolvimento da resiliência e capacidade de lidar com a competitividade extrema nos grandes clubes pelos quais passou.
Em entrevista ao programa “Zona Mista do Hernan”, do canal UOL Esporte, Rafael relembrou, nesta semana, a pressão na base do Cruzeiro.
“Quando eu com 12 anos saí de casa e fui fazer um teste na base do Cruzeiro, no primeiro dia o diretor lá virou e falou assim: ‘Olha, são quatro goleiros na equipe e a gente já tem cinco. Ou seja, para você passar, você tem que fazer muito melhor do que eles, porque a gente já tá com dificuldade de mandar um’”, relembrou Rafael. “Então assim, no meu primeiro dia quando eu fui fazer um teste com 12 anos, eu já tive a pressão de dar um resultado em uma semana de treinamentos”, destacou.
O aviso do diretor não foi o único choque de realidade. Mesmo após conquistar a aprovação, o jovem goleiro foi novamente confrontado. “Depois que eu passei, esse mesmo diretor virou para mim e falou assim: ‘Legal que você passou. Mas vai chegar um ônibus de goleiro toda semana para fazer o que você fez. Aqui a questão é a lei do merecimento. Se chegar algum que está melhor que você, você vai embora e ele entra no seu lugar’”, salientou.
Rafael no Cruzeiro
A experiência marcou o início de uma carreira repleta de desafios e vitórias no Cruzeiro. Promovido ao time principal em 2008 pelo técnico Adilson Batista, Rafael consolidou-se como uma peça confiável para substituir as eventuais ausências de Fábio, um dos maiores ídolos da história do clube celeste.
Em 112 partidas pelo Cruzeiro, Rafael conquistou dez títulos, incluindo o Campeonato Brasileiro (2013 e 2014), a Copa do Brasil (2017 e 2018) e seis edições do Campeonato Mineiro.
Após deixar o Cruzeiro, o goleiro defendeu o Atlético entre 2020 e 2022 antes de chegar ao São Paulo em 2023.
A experiência inicial na base celeste ainda marca Rafael. “Desde que eu me entendo por gente no futebol essa pressão acontece, faz parte. E se você está em um clube grande e quer fazer parte de conquistas, tem que suportar essa pressão”, refletiu.